Hoje vamos falar de um assunto que ainda parece um tabu: retomada da vida sexual pós-parto. Retomar essa atividade após a chegada de um bebê não é tão simples como a maioria pensa. Principalmente para nós, mulheres.
Então, confira o que a nossa colunista, a queridíssima médica Maria do Carmo, esclarece sobre este tema.
Retomada da vida sexual após o parto
A chegada do bebê é uma alegria. Mas a entrada deste príncipe ou princesinha no universo do lar vai trazer novas disposições ao ambiente do casal, principalmente se esta é uma experiência nova. Como proceder ou, há regras claras para a retomada do sexo?
De início, já podemos estabelecer é que não há regras. Tudo passa por conversas entre o casal e também com o obstetra, já mesmo antecipadas, durante o pré-natal. A presença do parceiro no parto e na visita pós-parto ajuda muito a ter estes esclarecimentos. Aliás, esta presença e participação do homem na discussão são fundamentais.
No período do pós-parto, fisicamente a mulher amamentando tem maiores níveis de um hormônio denominado de prolactina, que pode diminuir a libido. Além disso, há uma baixa do estrogênio, que torna a vagina menos lubrificada. Além do mais, o útero vai diminuindo de volume, há o sangramento avermelhado, inicialmente até com alguns coágulos, que vai se tornando mais claro, mas que ainda permanece razoavelmente no primeiro mês, independentemente do tipo de parto.
Leia também: sexo no pós-parto – as 10 principais dúvidas
Assim, vamos ter o cansaço inicial das noites mal dormidas (do casal até), esta baixa de estrogênio que pode causar ardência e mesmo dor numa relação pela baixa do estrogênio, a preocupação sobre “o bebê” que precisa atenção, as mamas cheias de leite. Todos estes fatores contribuem para a baixa da libido. E o parceiro, do lado, fica também um tempo para entender este novo personagem em suas vidas, que ocupa sua parceira. Há um trabalho de resgate, consciente e inconsciente, da figura sexual de sua companheira empenhada neste momento dos cuidados com o bebê. Por isto, também, é importante a participação dele nesta jornada diurna e noturna, apoiando e ajudando no possível, descansando e desestressando a mulher.
Vários trabalhos publicados, muitas vezes baseados em questionários ou visitas de revisão de parto, não identificam exatamente se o tipo de parto, vaginal ou cesáreo, definitivamente influencia neste tempo de retomada. Há fatores outros, às vezes culturais mesmo ou psicológicos, envolvidos. De uma forma geral o sexo é retomado em torno de 8 a 10 semanas pós-parto, parecendo mais regular neste período nas mulheres mais jovens ou naquelas que já passaram pela experiência de serem mães anteriormente. A volta do prazer, do orgasmo, virá como uma reconquista do casal.