Categorias: Coluna Desenvolvimento Infantil | Conversa de Mãe

Amor de mãe não se divide

Compartilhe:
pin it

Toda mulher grávida do segundo filho passa por essa dúvida: será que vou amar o segundo como amo o primeiro? Acredite, é a coisa mais normal esse pensamento. A gente passa a segunda gestação inteira “sofrendo com isso”. E quem nunca ouviu que “amor de mãe não se divide, mas multiplica”? Todo mundo, né? Mas a gente só aprende o que isso significa quando experimenta o sentimento na prática.

Leia também: sobre tornar-se mãe

Nesse relato lindo da Nathália Alves, nossa colunista, autora do Instagram Repertório de Mãe, ela fala justamente sobre isso: como foi descobrir que o amor de mãe não se divide, mas se multiplica. Confira!

Amor de mãe não se divide

Por Nathália Alves

Eu tinha vinte e dois anos quando engravidei da minha primeira filha. Fora uma incrível surpresa, seguida de uma gravidez bem complicada com final feliz. Cerca de quatro anos depois, de forma mais planejada, engravidei novamente de uma menina.

Em meio a muita alegria, às vezes eu me pegava pensando se seria capaz de amar outra criança tanto quanto amava minha primogênita. Era uma questão muito forte dentro de mim, que carreguei junto com o bebê por nove meses. Depois conversando com amigas que têm mais de um filho, descobri que é uma dúvida normal.

Fiz o possível, como da primeira vez, para ter um parto natural, mas infelizmente (ou “felizmente”, como diriam algumas mulheres), não consegui. Lembro que na consulta da véspera o médico respondeu à minha última insistência nessa direção: “Querida, não é que você tem pouca dilatação. Você tem zero de dilatação. Essa criança vai nascer amanhã. Já tem uma volta de cordão no pescoço”. Não discuti.

No dia seguinte fui bem cedo ao salão fazer pé e mão onde recebi um tratamento pra lá de VIP ao dizer que meu parto estava marcado para dali a sete horas. Aproveitei bem meu último dia de “paparicação”.

A primogênita

Ao voltar para casa, onde tudo da maternidade estava pronto havia muito tempo, deitei um pouco para descansar quando senti meu coração apertar. Liguei correndo na escola para saber como estava minha filha, eu sabia de sua ansiedade pela chegada da irmã.

Fiquei aliviada quando confirmaram que ela passara muito bem, que se alimentara e se comportara normalmente. Até que a professora completou: “Teve uma hora em que ela me abraçou e disse que estava feliz com o nascimento da irmãzinha, pois finalmente você poderá pegá-la no colo novamente”.

Meu mundo desabou. Fechei os olhos e lembrei exatamente do dia em que ela me pediu colo bem no início da gestação, quando eu estava proibida de levantar peso. Um grave sangramento me obrigou a encarar um repouso de semanas até o embrião “firmar”. Ela compreendeu minha restrição. Ocorre que eu falhei na sequência. E muito. Ela não pediu mais colo e eu também não lembrei mais de oferecê-lo. A verdade é que fiquei traumatizada com a história de pegar peso depois do quase aborto.

Naquele instante, desliguei o telefonema com a escola e recebi uma autodescarga de culpa: “Meu Deus! O que estou fazendo com minha filhinha? Ela vem sofrendo todo este tempo calada! Sou uma péssima mãe. E agora vem o bebê novamente tirar minha atenção, estarei ocupada. Como vou poder dar atenção a ela e ao bebê ao mesmo tempo? Como amar este bebê que vai trazer toda essa revolução? Como saberei dividir o meu amor?”

Então, na maternidade…

Minha segunda cesárea foi tranquila, exatamente conforme o esperado, mas a cena que vou descrever a seguir não foi nada esperada e é a tradução mais perfeita do que, para mim, é o nascimento não de uma criança, mas de uma mãe.

Na manhã seguinte ao parto, eu estava amamentando o bebê quando minha filha finalmente chegou com a avó para conhecer a irmãzinha. Era o que eu mais esperava: uma filha conhecendo a outra! Quem já passou por isso sabe o quanto é mágico. É inexplicável! Ela olhou pra mim da porta e sorriu. Eu retribuí e pensei “não vejo a hora de poder te carregar no colo de novo”.

Então eu disse “vem, amor, conhecer a sua irmã” e ela veio. Só que veio correndo em alta velocidade e com aquele ímpeto estabanado, natural quando se tem quatro anos de idade. Foi naquele momento que nasceu a mãe do bebê: tive frações de segundo para com uma mão proteger a cabeça do bebê e com a outra mão de forma bastante firme impedi-la totalmente de se jogar em cima daquele ser que, na inocência dela, era mais uma boneca. Os adultos se entreolharam assustados. Até eu me surpreendi com aquele “instinto animal”. Em seguida orientei que ela viesse com mais cuidado e deu tudo certo. Logo depois ela já estava no sofá segurando a irmãzinha no colo, para a primeira foto juntas.

Quem diria? Eu que não sabia como conseguiria amar outra criança, que ficara planejando por meses qual seria a melhor forma de fazer isso, em um segundo me dei conta de que esse nobre sentimento brota naturalmente e, sem a menor cerimônia, passa por cima de tudo o que cruzar pela frente. Foi assim que eu aprendi: o amor de mãe não se divide. Se multiplica.

Assista também sesse vídeo, no Canal MdM: amamos o segundo filho como amamos o primeiro?

Veja mais!